Que atire a primeira pedra quem nunca baixou ao menos uma música da Internet sem respeitar os direitos autorais. Seja no (extinto) Napster, LimeWire, The Pirate Bay…são muitas as plataformas de compartilhamento, e inevitáveis as discussões ética e jurídica que as circundam.
A grande discussão atualmente gira em torno do The Pirate Bay, o auto-intitulado “maior tracker BitTorrent do mundo”, com cerca de 25 milhões de pessoas conectadas simultaneamente. Para quem não sabe, um arquivo .torrent, em conjunto com um cliente BitTorrent, proporciona ao cliente as informações necessárias para se copiar um arquivo ou conjunto de arquivos de outras pessoas que estão copiando ou compartilhando o mesmo arquivo.
Enfim: o cenário é aquele já vivido pelo Napster e outros trackers, onde as leis não são claras o suficiente e não se adequam à Internet e suas conseqüências. Mais uma vez, grandes empresas de mídia como Warner Bros, MGM, 20th Century Fox, Sony BMG, entre outras processam o Pirate Bay por “promover infrações contra leis de direitos autorais realizadas por terceiros”.
O julgamento, realizado no mês passado, seguiu o exemplo cyber dos réus e teve seu áudio transmitido ao vivo na Internet, além de comentários postados em tempo real por um dos fundadores do Pirate Bay.
A repercussão, é claro, foi mundial, e em grande maioria a favor do tracker. Houve ação de hackers (criticada pelos réus), protestos locais e também virtuais. Dentre eles, destaca-se o liderado pelo membro do partido socialista norueguês, em que uma página da Internet diz This is what a criminal looks like (É assim que um criminoso se parece), e ao lado são mostradas fotos de usuários, que são convidados a enviá-las, como uma espécie de abaixo-assinado. No momento, constam 3130 retratos.
Outras manifestações bastante criativas circulam pela Internet, como o site criado por uma parceria do próprio The Pirate Bay com o Pyratbyran, com vídeos, protestos, entrevistas e notícias. Além disso, Jamie King, diretor da série de documentários Steal This Film sobre a cultura livre e a partilha de ficheiros, pretende entrevistar as pessoas que comparecerem às audiências e disponibilizar o resultado final via BitTorrent.
Tanta polêmica me faz pensar: seria a Internet um dos meios atuais mais importantes e democráticos de troca de informação e cultura? E seria possível um ajuste da legislação e do mercado a este novo comportamento da sociedade?
Comentem!!!